segunda-feira, 29 de abril de 2013

Saudade de um tempo que não vivi

Hoje lendo sobre a morte do Paulo Vanzolini, retornou ao meu peito um sentimento recorrente, a saudade de um tempo que não vivi. Na grande maioria das vezes essa angústia decorre das artes, sobretudo da música.
Sinto saudade de uma São Paulo pacata, cuja maior ameaça eram os batedores de carteira, em que se viviam em vilas apoiadas em paralelepípedos, em que as charretes dividiam espaço com aqueles Fords dos anos 40. Sinto também saudade das rodas de choro em que o silêncio imperava para que se pudesse ouvir a riqueza das melodias e o talento dos virtuoses. Ou então me vejo no Bixiga comendo uma sardela e conversando com Adoniram.
Viajo...Mudo para o Rio, só para sentir saudades do samba da Portela, de Monarco, Argemiro, Casquinha e outros tantos...
Passo as tardes nos bares dos anos 30 só para ouvir Noel falando do apito da fábrica de tecidos e à noite vou ao Zicartola dos anos 60/70 ouvir que a Mangueira é habitada por gente simples...
Engraçado, não é saudosismo porque não vivi essas coisas... Também não é melancolia, pois, como diz Paulinho da Viola, meu tempo é hoje!
Acho que é só identidade com aquilo que me emociona, com a música capaz de alterar meu ânimo e minha alma. Adoro essa saudade que não me faz ficar triste, que não me enfraquece, mas que me faz levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima!

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